Timor é "Aqui"

Timor é nos lugares sagrados – nos outeiros que não contamos, nos idosos que sabemos livres quando vistos desde o seu próprio lado -. Trabalhando – sendo livres dessa independência falaciosa que a sociedade lhes impinge em determinada idade enganosa;

Timor é aqui nas celebrações – tantas – mil – como o S. João de arga – e como eras as desfolhadas, os rebolos do linho e os casamentos de Soajos esquecidos…

Timor é aqui na simplicidade de um homem criança – chefe de aldeia ou suco – que como árvore antiga nos abraça – firme e térreo, com um lume vivo no olhar terno – como criança se sentando e como gigante em tudo e em todos se manifestando


Timor é aqui se virmos e soubermos que esses nossos vivos esteios – são jovens, adultos idosos e não mais velhos – e caminham à nossa frente como um leme verdadeiro:

– marcando caminho vivo para os que perderam o sentido deste estar e ser e andar – por andar – entre tanto caminho sem ida, volta ou caminho a se caminhar…

Eles vão, eles são eles chegam - porque não outros , ou quantos outros lá chegarão - livres e plenos além de qualquer prisão?...

Timor é aqui, por eles, por esses, por mim e por ti - no tempo Pressentes e no futuro que está por vir

Timor é aqui nas nossas aldeias – de portas abertas e candeia, de olhares de olhar em olhar- de bom dia, boa tarde ou boa noite – olho no olho e sem duvidar;

Timor é aqui para quem assim puder ver- e muito mais ainda – da terra, das origens, das tradições - há ainda a viver e dizer..

Timor é aqui – para quem assim quiser – Timor é em ti e em mim e em quem assim puder e quiser reviver…

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Texto sem imagens ou vídeos - as latas virão depois - importante é arribar a esse Lifau que se leva por denetro e nos pode efectivamente libertar - Timor é aqui em primeiro lugar

Como dizia numa placa em “Lifau” – o primeiro lugar no que os Portugueses pousaram pé em solo Maubere: “Timor foi conquistado com água e sal, não pela força das armas”…

Há quem creia, há quem traduza – há quem não…
Nesta “introdução - traduzir é parte da questão…
Assim – aqui vai:
Poderíamos pensar que a frase – gravada a “ouro” num xisto – como numa placa de escola primária – debaixo de uma imitação de marco – das “descobertas“ centenárias
 (nestas coisas falta sempre saber – “quem descobriu a quem” – dado que quem lá estava – já lá estava e quem chegou foi quem assim se convidava - convidado – ali sentado, para aprender e assim procurar ser – convidado…
como numa qualquer moradia – na que se entra – com cortesia, não se impõe outra verdade vazia além daquela que o anfitrião assim souber… ou assim gostávamos que fosse ou assim nos ensinaram a ser…
E juntos celebramos o que ali houver… juntos celebrávamos como assim ali pautava quem ali sabia e ali – subtilmente – nos levava e mostrava o bom do melhor que há para ver…
Pedras milenares de tradições de encantares – promessas de outros artigos e outros pontos a divulgar – como aqueles nossos amigos – são deste e daquele lugar:

 (como as daqui e além, celebrações de novos lugares, como casas de gente consagrada – cucos para quem os conhecer – pequenos eventos de família – como os “barlaks” que se compreendiam à luz de quem sabe ser e fazer – unir aldeias inteiras à luz de um amor que pode prevalecer; deslutos ao fim de ano, de chefes de todos conhecidos e por todos louvados… pequenas coisas do dia a dia – partilhadas sem medo – com “ousadia” de um povo que – não se via – e fazia edifícios de fundação tremer – com crianças de mão em peito cantando – um hino que hoje – ainda temos a conhecer… “…Oceano a rugir de amor, o teu (a)braço vencedor deu mundos novos ao mundo… brade a Europa è terra Inteira – Portugal Não pereceu…)

Assim, nessa linda placa – constava uma adivinha… uma alegoria, uma mestria de esfinge que nos traduzia:
 – a quem lê, a quem escreveu e a razão e o porquê de a ler de ali estar e de ali estar quem a leu – a aprender… a ensinar – pouco  a pouco – pouco ou devagar – pois ali aprende-se imenso… ao ritmo que a própria vida soube pautar:
entre os pescadores à mão, entre as gentes que têm chão – para dormir… e que assim convidam a partilhar…e coisas afins… deste e daquele “nosso” lugar…
(o gado não – que esse era apenas para “celebrar” – esclarece-se depois noutros textos ou noutro lugar – como as quotas que alguém se esqueceu de “apagar”)…

A placa estava à beira de umas outras placas – já se vai comentar…
A questão primeira – era – que lugar viemos nós (ajudar) a transformar :
– seria aquele que nos contavam ou seria este “nosso lugar”?
 – já que – em encontros de culturas – acontece a realidade “de par em par” – aprendem uns e outros e o crescer é assim de forma circular…

recordar os valores da placa – além do ouro (da madeira daquela terra tão distante como cercana, tão diferente como lonjana)) que esta possa ajudar a lembrar – pessoas Humanas com H grande a iluminar – pequenos momentos simples que nos ajudam – agora – a evocar – os grandes ecos – simples –q eu desde sempre nos alegramos em assim ter, assim fazer valer e assim poder – também – festejar… acolher, saber receber, ser… amigos de aquele, daquela que aqui caia – nesta bela esquina da Europa antiga – das terras a de “mais valia – a que por todo o orbe se estendia e que – em nós assim luzia – essa luz bela (ou fria) que agora – entre nós se desprendia… perderíamos nós a pertença, a esquina ou a crença de ser e assim saber?... estranho – melhor continuar a ler…

A placa pouco dizia da força das armas – que as havia… e as placas ao lado nada lembravam de quem assim as transmitia…

As placas dos lados tinham nomes “soados”… um deles “Belo”… os outros – não se distinguiam – a não ser por terem estado e permanecido – e ficado – nesse solo por eles também consagrado;

 – logo… de Ximenes – deixamos de pensar – sendo bispo ou presidente ou prémio Nobel da Paz… que depois se esvaiu no tempo… entre a África e outro sustento… por amar o que sabia amar…
A frase acima é apenas uma alegoria à moda da placa que se lia… dá que pensar…

Os nomes outros eram de “clérigos” ali do “lugar” ali foram para ficar que ali “tombaram” – por aprender a ser e estar… Timorenses diferentes que alise fizeram Iguais – mesmas lágrimas de alegria, de coragem – entre o que se ganhava e perdia e ali se ficaram a descansar…

Assim, da água e sal que se dizia – pensaríamos em “religiões” de água fria – até saber que as lágrimas são quentes e traduziam, um mesmo mar (amar) pungente – como as do próprio mar “salgado” que de Portugal se fez “escravo”…

(como dizia o poeta – cumpriu-se o Mar e o Império se desfez)

Assim fica a ideia de base -  quase, quase -  a aparecer:

que a água e sal de que falava – o Sr. José Ote (maioral do local – com a sua maquineta de escrita da candonga além fronteira adquirida e uma sabedoria sem par – que temia que o saber popular se perderia, numa época na que mais valia – escrever do que falar, transmitir e mostrar – os verdadeiros lugares a guardar, as pessoas a preservar e as tradições próprias a salvaguardar… )

escrevo COM o Sr. José Ote – por entender o que se passa neste “nosso” Timor chamado “Portugal”

Fora quem as pintara – as letras douradas e algo da Pietá ao lado sentada – chorando pela sangue assim mesmo derramada – traduziam a palavra e a letra “salgada” – sagrada – da lágrima conjunta – em conjunto – celebrada…

Eram os mil e um casamentos, eram as gentes aos centos, eram as comidas de arroz, eram os lugares aonde chegávamos nós;

Eram pequenos detalhes – de uma noite ou de um dia que mais não se esvai – que se partilha, que aninha – no coração de quem – dali – mais não sai…

Ecos da vida a partilhar, pedaços de vidas – ainda vivas – enquanto houver alguém para as lembrar…

Timor é “aqui” – para tantos que sentem, como “algo” além da corrente – habitual – tomou conta da gente e do ritmo deste nosso “novo” festival…

Timor é aqui – por tudo o que temos a enraizar e por todos os que nos podem – ainda -  ajudar a evocar.

A despertar – acordar – aquilo que por dentro de nós ainda não descai… esse algo que uma geração ainda não deixou de deixar passar…

Timor é aqui – nessa placa dourada (de estrelinhas douradas assim sobre azul lavradas – como uma noite que em dia se faz)

– de gente que venha caminhar de mochila cheia, no mesmo sol, pela mesma areia – despertando baixo a mesma madrugada – anunciando assim a nosso “comum” alvorada, antevendo as tais “estrelas” entre a noite mais fechada …

– cantando quando nada mais nos eleva, nada mais nos leva para a meta anunciada… ou partilhando um caminho de estrelas – de mochila a meias, meio vazia, meio cheia – com quem queira – de um lado ou do outro de uma mesma fronteira… e ir e conhecer e vir – voltara  ser aquilo que num princípio nos animou a partir

Timor “é aqui” – para ti e para mim – que permanecemos, que ainda sabemos – o que é amar em português e – ao mesmo tempo – acolher quem assim sabe e assim nos ajuda a permanecer ( a Ser) – seja quem assim quis…

Assim Lifau, a placa, o marco dos “descobrimentos” Humanos – entre Humanos – esses tantos e vários que descobrimos dia a dia sem cessar;

Esses – vários e tantos – de rostos esquecidos ou de rostos iluminados – pelos sorrisos perdidos das crianças de gestos dignos, em farrapos embrulhados;

A frase na placa a dourado, para quem ama além do ouro profano, os nomes gravados ao lado – dos caídos e tombados em defesa desses mesmos povos, dessas mesmas aldeias ainda hoje livres e tão preciosas como recheias:

 – de crianças, eles e elas – adultos de mãos dadas e dos idosos – como pilares firmes por entre as tempestades dos tempos de suas vidas passadas – além das armas e dos varões assinalados, além do madeiro – como O Belo – de quem falamos…

E a “Pietá” – de braços preenchidos – pelos filhos dessa terra – tombados – ou assim erguidos – pois ali – vivos – nos estavam – ensinando:

 – numa partilha amena – entre tanta gente pequena – fica a homenagem a Portugal – essa que se vê e se sente e ali eloquente – feita por própria gente à mão e como sabem e são:

– uma homenagem vivente ao que nos une como igual gente – na Humanidade de país irmão…
 gente pequena – gigantes se mostrando quando alguém vê, além da crosta, das feridas antigas de novo sangrando… além da fadiga que se vai abeirando à medida que os malae (estrangeiros) chegam e vão…

e aprendem e voltam com algo de verdade em pleno coração – “pietá” que tem nos braços – os nossos próprios abraças ainda apor dar –

esses que podemos nos sim – doar sem se pensar – no nosso Regressar – pois – Timor também é aqui – em ti, por mim – em mim – por ti;
a coragem, a vida viva – entre a montanha amiga – se preservando;

Como nós – além do que se diga – que permanecemos grandes – nesta “imensidão” Europeia – que começou como panaceia – e permanecerá assim- algo estranha – de “CEE” para o caminho da nossa  Luz Titânia – uma luz Maior do que aquela que ofusca e não engana:

 – essa luz de “Amor”  que Oceano Brilha em Noites de Luar, que brilha por dentro de nós e não se apaga nem no mar – reflecte-se, multiplica-se evoca-se e nos implica – numa esperança plantada, difundida e velada – esperando o seu justo despertar;

 em todo o globo durante anos – esperanças como as que agora recolhemos ao la chegar – ao ver como nos acolhem esses que fomos nós “colonizar”...

 – seres irmão – em casas de irmão – apertos de mãos e Coração – para nos dar animo e fôlego neste tempo de contenção…

E o vivido e partilhado –em verdade sendo sagrado – esse “algo” se mantém geração após geração – uma forma que acolhe – que anima e não se encolhe

– uma chama sagrada levada por uns e por outros além da espada –

uma força viva que agora convida e nos anima –
 desde essas terras que se erguem e levantam –

a nossa mesma chama assim se converte em chama que mais não se apaga…

Timor também é aqui – por mim e por ti… e entre eles e nós . nós desatados de novo entrelaçados – seremos um “nós” maior…

Seja essa a luz dourada da placa da praia de uma terra por nós recordada:

“Ai Timor – calam-se as vozes dos “teus avós”…

ali em Timor - calavam-se as vozes dos nossos avós
como aqui - cantemos nós - por eles
e por todos nós...

P.S:

(Eg. Régios)

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