Como dizia numa placa
em “Lifau” – o primeiro lugar no que os Portugueses pousaram pé em solo
Maubere: “Timor foi conquistado com água e sal, não pela força das armas”…
Há quem creia, há quem
traduza – há quem não…
Nesta “introdução -
traduzir é parte da questão…
Assim – aqui vai:
Poderíamos pensar que
a frase – gravada a “ouro” num xisto – como numa placa de escola primária –
debaixo de uma imitação de marco – das “descobertas“ centenárias
(nestas coisas falta sempre saber – “quem
descobriu a quem” – dado que quem lá estava – já lá estava e quem chegou foi
quem assim se convidava - convidado – ali sentado, para aprender e assim
procurar ser – convidado…
como numa qualquer
moradia – na que se entra – com cortesia, não se impõe outra verdade vazia além
daquela que o anfitrião assim souber… ou assim gostávamos que fosse ou assim
nos ensinaram a ser…
E juntos celebramos o
que ali houver… juntos celebrávamos como assim ali pautava quem ali sabia e ali
– subtilmente – nos levava e mostrava o bom do melhor que há para ver…
Pedras milenares de
tradições de encantares – promessas de outros artigos e outros pontos a
divulgar – como aqueles nossos amigos – são deste e daquele lugar:
(como as daqui e além, celebrações de novos
lugares, como casas de gente consagrada – cucos para quem os conhecer –
pequenos eventos de família – como os “barlaks” que se compreendiam à luz de
quem sabe ser e fazer – unir aldeias inteiras à luz de um amor que pode
prevalecer; deslutos ao fim de ano, de chefes de todos conhecidos e por todos
louvados… pequenas coisas do dia a dia – partilhadas sem medo – com “ousadia”
de um povo que – não se via – e fazia edifícios de fundação tremer – com
crianças de mão em peito cantando – um hino que hoje – ainda temos a conhecer…
“…Oceano a rugir de amor, o teu (a)braço vencedor deu mundos novos ao mundo…
brade a Europa è terra Inteira – Portugal Não pereceu…)
Assim, nessa linda
placa – constava uma adivinha… uma alegoria, uma mestria de esfinge que nos
traduzia:
– a quem lê, a quem escreveu e a razão e o
porquê de a ler de ali estar e de ali estar quem a leu – a aprender… a ensinar
– pouco a pouco – pouco ou devagar –
pois ali aprende-se imenso… ao ritmo que a própria vida soube pautar:
entre os pescadores à
mão, entre as gentes que têm chão – para dormir… e que assim convidam a
partilhar…e coisas afins… deste e daquele “nosso” lugar…
(o gado não – que esse era apenas para
“celebrar” – esclarece-se depois noutros textos ou noutro lugar – como as
quotas que alguém se esqueceu de “apagar”)…
A placa estava à beira
de umas outras placas – já se vai comentar…
A questão primeira –
era – que lugar viemos nós (ajudar) a transformar :
– seria aquele que nos
contavam ou seria este “nosso lugar”?
– já que – em encontros de culturas – acontece
a realidade “de par em par” – aprendem uns e outros e o crescer é assim de
forma circular…
recordar os valores da placa – além do
ouro (da madeira daquela terra tão distante como cercana, tão diferente como lonjana))
que esta possa ajudar a lembrar – pessoas Humanas com H grande a iluminar –
pequenos momentos simples que nos ajudam – agora – a evocar – os grandes ecos –
simples –q eu desde sempre nos alegramos em assim ter, assim fazer valer e
assim poder – também – festejar… acolher, saber receber, ser… amigos de aquele,
daquela que aqui caia – nesta bela esquina da Europa antiga – das terras a de
“mais valia – a que por todo o orbe se estendia e que – em nós assim luzia –
essa luz bela (ou fria) que agora – entre nós se desprendia… perderíamos nós a
pertença, a esquina ou a crença de ser e assim saber?... estranho – melhor continuar
a ler…
A placa pouco dizia da
força das armas – que as havia… e as placas ao lado nada lembravam de quem
assim as transmitia…
As placas dos lados
tinham nomes “soados”… um deles “Belo”… os outros – não se distinguiam – a não
ser por terem estado e permanecido – e ficado – nesse solo por eles também
consagrado;
– logo… de Ximenes – deixamos de pensar –
sendo bispo ou presidente ou prémio Nobel da Paz… que depois se esvaiu no
tempo… entre a África e outro sustento… por amar o que sabia amar…
A frase acima é apenas
uma alegoria à moda da placa que se lia… dá que pensar…
Os nomes outros eram
de “clérigos” ali do “lugar” ali foram para ficar que ali “tombaram” – por
aprender a ser e estar… Timorenses diferentes que alise fizeram Iguais – mesmas
lágrimas de alegria, de coragem – entre o que se ganhava e perdia e ali se
ficaram a descansar…
Assim, da água e sal
que se dizia – pensaríamos em “religiões” de água fria – até saber que as
lágrimas são quentes e traduziam, um mesmo mar (amar) pungente – como as do
próprio mar “salgado” que de Portugal se fez “escravo”…
(como dizia o poeta – cumpriu-se o Mar
e o Império se desfez)
Assim fica a ideia de
base - quase, quase - a aparecer:
que a água e sal de
que falava – o Sr. José Ote (maioral do local – com a sua maquineta de escrita
da candonga além fronteira adquirida e uma sabedoria sem par – que temia que o
saber popular se perderia, numa época na que mais valia – escrever do que
falar, transmitir e mostrar – os verdadeiros lugares a guardar, as pessoas a
preservar e as tradições próprias a salvaguardar… )
escrevo COM o Sr. José Ote – por
entender o que se passa neste “nosso” Timor chamado “Portugal”
Fora quem as pintara –
as letras douradas e algo da Pietá ao lado sentada – chorando pela sangue assim
mesmo derramada – traduziam a palavra e a letra “salgada” – sagrada – da
lágrima conjunta – em conjunto – celebrada…
Eram os mil e um
casamentos, eram as gentes aos centos, eram as comidas de arroz, eram os
lugares aonde chegávamos nós;
Eram pequenos detalhes
– de uma noite ou de um dia que mais não se esvai – que se partilha, que aninha
– no coração de quem – dali – mais não sai…
Ecos da vida a
partilhar, pedaços de vidas – ainda vivas – enquanto houver alguém para as
lembrar…
Timor é “aqui” – para
tantos que sentem, como “algo” além da corrente – habitual – tomou conta da
gente e do ritmo deste nosso “novo” festival…
Timor é aqui – por
tudo o que temos a enraizar e por todos os que nos podem – ainda - ajudar a evocar.
A despertar – acordar
– aquilo que por dentro de nós ainda não descai… esse algo que uma geração
ainda não deixou de deixar passar…
Timor é aqui – nessa
placa dourada (de estrelinhas douradas assim sobre azul lavradas – como uma
noite que em dia se faz)
– de gente que venha
caminhar de mochila cheia, no mesmo sol, pela mesma areia – despertando baixo a
mesma madrugada – anunciando assim a nosso “comum” alvorada, antevendo as tais
“estrelas” entre a noite mais fechada …
– cantando quando nada
mais nos eleva, nada mais nos leva para a meta anunciada… ou partilhando um
caminho de estrelas – de mochila a meias, meio vazia, meio cheia – com quem
queira – de um lado ou do outro de uma mesma fronteira… e ir e conhecer e vir –
voltara ser aquilo que num princípio nos
animou a partir
Timor “é aqui” – para
ti e para mim – que permanecemos, que ainda sabemos – o que é amar em português
e – ao mesmo tempo – acolher quem assim sabe e assim nos ajuda a permanecer ( a
Ser) – seja quem assim quis…
Assim Lifau, a placa, o
marco dos “descobrimentos” Humanos – entre Humanos – esses tantos e vários
que descobrimos dia a dia sem cessar;
Esses – vários e
tantos – de rostos esquecidos ou de rostos iluminados – pelos sorrisos perdidos
das crianças de gestos dignos, em farrapos embrulhados;
A frase na placa a
dourado, para quem ama além do ouro profano, os nomes gravados ao lado – dos
caídos e tombados em defesa desses mesmos povos, dessas mesmas aldeias ainda
hoje livres e tão preciosas como recheias:
– de crianças, eles e elas – adultos de mãos
dadas e dos idosos – como pilares firmes por entre as tempestades dos tempos de
suas vidas passadas – além das armas e dos varões assinalados, além do madeiro
– como O Belo – de quem falamos…
E a “Pietá” – de
braços preenchidos – pelos filhos dessa terra – tombados – ou assim erguidos –
pois ali – vivos – nos estavam – ensinando:
– numa partilha amena – entre tanta gente
pequena – fica a homenagem a Portugal – essa que se vê e se sente e ali
eloquente – feita por própria gente à mão e como sabem e são:
– uma homenagem
vivente ao que nos une como igual gente – na Humanidade de país irmão…
gente pequena – gigantes se mostrando quando
alguém vê, além da crosta, das feridas antigas de novo sangrando… além da
fadiga que se vai abeirando à medida que os malae (estrangeiros) chegam e vão…
e aprendem e voltam
com algo de verdade em pleno coração – “pietá” que tem nos braços – os nossos próprios
abraças ainda apor dar –
esses que podemos nos
sim – doar sem se pensar – no nosso Regressar – pois – Timor também é aqui – em
ti, por mim – em mim – por ti;
a coragem, a vida viva
– entre a montanha amiga – se preservando;
Como nós – além do que
se diga – que permanecemos grandes – nesta “imensidão” Europeia – que começou
como panaceia – e permanecerá assim- algo estranha – de “CEE” para o caminho da
nossa Luz Titânia – uma luz Maior do que
aquela que ofusca e não engana:
– essa luz de “Amor” que Oceano Brilha em Noites de Luar, que
brilha por dentro de nós e não se apaga nem no mar – reflecte-se, multiplica-se
evoca-se e nos implica – numa esperança plantada, difundida e velada –
esperando o seu justo despertar;
em todo o globo durante anos – esperanças como
as que agora recolhemos ao la chegar – ao ver como nos acolhem esses que fomos
nós “colonizar”...
– seres irmão – em casas de irmão – apertos de
mãos e Coração – para nos dar animo e fôlego neste tempo de contenção…
E o vivido e
partilhado –em verdade sendo sagrado – esse “algo” se mantém geração após
geração – uma forma que acolhe – que anima e não se encolhe
– uma chama sagrada
levada por uns e por outros além da espada –
uma força viva que
agora convida e nos anima –
desde essas terras que se erguem e levantam –
a nossa mesma chama
assim se converte em chama que mais não se apaga…
Timor também é aqui –
por mim e por ti… e entre eles e nós . nós desatados de novo entrelaçados –
seremos um “nós” maior…
Seja essa a luz
dourada da placa da praia de uma terra por nós recordada:
“Ai Timor – calam-se
as vozes dos “teus avós”…
ali em Timor - calavam-se as vozes dos nossos avós
como aqui - cantemos nós - por eles
e por todos nós...
P.S:
(Eg. Régios)
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