Timor é "Aqui"

Timor é nos lugares sagrados – nos outeiros que não contamos, nos idosos que sabemos livres quando vistos desde o seu próprio lado -. Trabalhando – sendo livres dessa independência falaciosa que a sociedade lhes impinge em determinada idade enganosa;

Timor é aqui nas celebrações – tantas – mil – como o S. João de arga – e como eras as desfolhadas, os rebolos do linho e os casamentos de Soajos esquecidos…

Timor é aqui na simplicidade de um homem criança – chefe de aldeia ou suco – que como árvore antiga nos abraça – firme e térreo, com um lume vivo no olhar terno – como criança se sentando e como gigante em tudo e em todos se manifestando


Timor é aqui se virmos e soubermos que esses nossos vivos esteios – são jovens, adultos idosos e não mais velhos – e caminham à nossa frente como um leme verdadeiro:

– marcando caminho vivo para os que perderam o sentido deste estar e ser e andar – por andar – entre tanto caminho sem ida, volta ou caminho a se caminhar…

Eles vão, eles são eles chegam - porque não outros , ou quantos outros lá chegarão - livres e plenos além de qualquer prisão?...

Timor é aqui, por eles, por esses, por mim e por ti - no tempo Pressentes e no futuro que está por vir

Timor é aqui nas nossas aldeias – de portas abertas e candeia, de olhares de olhar em olhar- de bom dia, boa tarde ou boa noite – olho no olho e sem duvidar;

Timor é aqui para quem assim puder ver- e muito mais ainda – da terra, das origens, das tradições - há ainda a viver e dizer..

Timor é aqui – para quem assim quiser – Timor é em ti e em mim e em quem assim puder e quiser reviver…

domingo, 28 de setembro de 2014

Povo que esperas, que não desesperas - que ensinas... em pequenas cantigas - os gestos que geras...



Eis o lugar de Honra e Coragem
Onde descansem os da eterna aragem
De viver a navegar

Entre os mares e os medos
E os antigos segredos

A desvelar

Passando
Nem vendo
Nem olhando

Seguindo o apelo de dentro
Aquele que os impele a avançar

Como dizia o do leme ao mostrengo

Que por dentro
É um povo inteiro a vibrar…

(…)


Ficam as placas -partem os Homens... 
ficam mulheres a chorar 

- sejam de finos trajes bordados -  
sejam de roupas rasgadas e olhares desesperançados

partem para não mais voltar

ou partem para o coração das gentes

e no coração das gentes passam 
- em eternidade -
 a morar

estas gentes passam... 
amam a brisa, 
o sopro, 
o mar, 
a pedra silente, 
a árvore grande e eloquente, 
a luz do Sol e do luar 

e têm mãos de ser trabalhador 
e têm força 
e coragem 
e honra 
e louvor

Timor é aqui
em mim
e em ti...

nesses lugares pares
nos que aquilo que se disse
ainda é verdade
Timor...

é

"ali"


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