Timor é "Aqui"

Timor é nos lugares sagrados – nos outeiros que não contamos, nos idosos que sabemos livres quando vistos desde o seu próprio lado -. Trabalhando – sendo livres dessa independência falaciosa que a sociedade lhes impinge em determinada idade enganosa;

Timor é aqui nas celebrações – tantas – mil – como o S. João de arga – e como eras as desfolhadas, os rebolos do linho e os casamentos de Soajos esquecidos…

Timor é aqui na simplicidade de um homem criança – chefe de aldeia ou suco – que como árvore antiga nos abraça – firme e térreo, com um lume vivo no olhar terno – como criança se sentando e como gigante em tudo e em todos se manifestando


Timor é aqui se virmos e soubermos que esses nossos vivos esteios – são jovens, adultos idosos e não mais velhos – e caminham à nossa frente como um leme verdadeiro:

– marcando caminho vivo para os que perderam o sentido deste estar e ser e andar – por andar – entre tanto caminho sem ida, volta ou caminho a se caminhar…

Eles vão, eles são eles chegam - porque não outros , ou quantos outros lá chegarão - livres e plenos além de qualquer prisão?...

Timor é aqui, por eles, por esses, por mim e por ti - no tempo Pressentes e no futuro que está por vir

Timor é aqui nas nossas aldeias – de portas abertas e candeia, de olhares de olhar em olhar- de bom dia, boa tarde ou boa noite – olho no olho e sem duvidar;

Timor é aqui para quem assim puder ver- e muito mais ainda – da terra, das origens, das tradições - há ainda a viver e dizer..

Timor é aqui – para quem assim quiser – Timor é em ti e em mim e em quem assim puder e quiser reviver…

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lifau I - onde arrivaram coragens nunca dantes nomeadas...





"... e se houver
uma praça de gente madura
ninguém vai levantá-la do chão..."

enraizar, partir lés a lés - do pais - desde a sua coroa a seus pés
descobrir o que ainda não se deixou partir
de tradição, de coerência, de colaboração
na sabia paciência de ser-mos nós
marcando a pauta
e o tempo
do nosso tempo ecoando como uma só voz...

"...anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer..."

"... vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar..."

"...dorme a noite
ao relento no mar..."

quem lá vem?

quem?...








Eis o lugar de Honra e Coragem
Onde descansem os da eterna aragem
De viver a navegar

Entre os mares e os medos
E os antigos segredos

A desvelar

Passando
Nem vendo
Nem olhando

Seguindo o apelo de dentro
Aquele que os impele a avançar

Como dizia o do leme ao mostrengo

Que por dentro
É um povo inteiro a vibrar…

(…)




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